A depressão surge, muitas vezes, de forma gradual, tornando-se difícil de reconhecer. Identificar os sinais e sintomas é fulcral para ajudar quem sofre a procurar ajuda profissional.

Depressão: como reconhecer e ajudar

Sentir-se triste, uma ou outra vez, acontece a todos. É uma reação natural e normal perante certas experiências, que tende a ser superada algum tempo depois. Mas quando a tristeza parece estar instalada, quando a pessoa se sente assoberbada pelos pensamentos negativos e pelos sentimentos, incapaz de apreciar a vida e de ‘dar a volta’, então pode estar-se perante um quadro de depressão.

Há pessoas que a descrevem como uma sensação de estar ‘no fundo de um poço’, outras que se sentem esgotadas e vazias. As mulheres, que são mais frequentemente afetadas, tendem a espelhar desinteresse, diminuição do prazer em atividades que as satisfaziam anteriormente. Nos homens é mais comum haver impaciência e agressividade, bem como queixas físicas que ocultam a dificuldade em falar de aspetos anímicos. Tanto nuns casos como noutros, a depressão interfere com o quotidiano, desde a capacidade de estudar ou trabalhar, à de realizar tarefas básicas do dia a dia, como o autocuidado, ou de apreciar a vida.

Como se chega a este ponto?

Esta é uma pergunta de resposta difícil. As causas da depressão são múltiplas, variam de pessoa para pessoa e, aparentemente, pode não haver qualquer motivo para o seu surgimento. Estão, contudo, identificados alguns fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de quadros depressivos. É o caso de acontecimentos de vida como um divórcio, a morte de alguém próximo ou mesmo o desemprego. É também reconhecida a existência de alguma predisposição familiar, bem como maior tendência entre as pessoas de personalidade mais dependente e nas que têm baixa autoestima.

Será depressão?

Os sintomas podem ser episódicos ou desenvolver-se lenta e gradualmente, podendo passar despercebidos durante algum tempo. Mas há alguns sinais de alarme que ajudam a reconhecer um quadro depressivo, na própria pessoa e em terceiros:

  • Tristeza a maior parte do dia e durante vários dias ou meses;
  • Desinteresse pelas atividades do dia a dia, mesmo pelas que proporcionavam prazer;
  • Desesperança;
  • Falta de energia, sensação de cansaço permanente;
  • Alterações nos padrões de sono: insónias ou sonolência excessiva;
  • Alterações no padrão alimentar: comer demais ou de menos;
  • Alterações do apetite sexual;
  • Oscilações no peso, com ganho ou perda de quilos de forma súbita;
  • Ansiedade, impaciência e, por vezes, irritabilidade;
  • Emoções descontroladas: explosão de fúria seguida de choro compulsivo;
  • Perda de confiança;
  • Dificuldade em tomar decisões;
  • Dificuldades de concentração e de memória;
  • Tendência para o isolamento;
  • Dores sem explicação aparente: de cabeça, de estômago, musculares;
  • Maior consumo de produtos de risco, como tabaco, álcool e drogas;
  • Conversas sobre a morte e o suicídio.

Sem género nem idade

A depressão pode acontecer a qualquer pessoa, em qualquer idade, embora seja mais prevalente em mulheres e entre os 30 e os 45 anos. Há algumas variações nos sinais:

Mulheres | É mais provável que tenham sentimentos de culpa, que durmam em excesso e que ganhem peso. As alterações hormonais também têm impacto na depressão, nomeadamente na menopausa e associadas à gravidez, com a chamada depressão pós-parto.

Homens | É mais frequente apresentarem sintomas como fadiga, irritabilidade e perda de interesse no trabalho e nos hobbies, por vezes associado a um aumento do consumo de álcool. O foco nas dores físicas pode ocultar a dificuldade em falar de sintomas anímicos. Agressividade e comportamentos de risco são mais comuns.

Adolescentes e jovens | Mais do que tristeza, expressam agressividade e agitação, desinteresse pelas atividades, com absentismo escolar. Queixam-se também de dor física.

Idosos | Os sintomas físicos dominam sobre os psicológicos e emocionais, com fadiga, dores difusas e inespecíficas e problemas de memória. Podem também negligenciar a aparência e os cuidados pessoais e deixar de tomar a medicação.

Que soluções existem?

Apesar da sensação de que não há esperança, a depressão pode ser controlada e curada, daí a importância de se estar atento aos sinais. É natural que, inicialmente, a pessoa afetada se sinta relutante em procurar ajuda profissional. Mas o isolamento que surge quando não se expressam sentimentos e preocupações pode agravar a depressão. Na maioria dos casos, procurar ajuda profissional torna a depressão altamente tratável, por isso é importante superar essa sensação o quanto antes. Obter um diagnóstico numa fase inicial da doença permite garantir as melhores hipóteses de tratamento.

Como ajudar alguém com depressão?

É sempre delicado ajudar alguém com depressão, quer a doença já tenha sido diagnosticada ou não. O primeiro passo é não subestimar: a depressão é uma doença e deve ser levada a sério. Mas há outros cuidados que podem ajudar:

  • Incentive a pessoa a falar sobre as suas emoções e esteja disponível para a escutar atentamente, uma e outra vez.
  • Resista à tentação de dizer que “já sabe”: mesmo que já tenha tido uma depressão, não há dois casos iguais;
  • Não julgue nem critique, evite dar conselhos ou fazer comparações;
  • Ajude a pessoa a manter os compromissos – desde tomar a medicação a comparecer a consultas;
  • Incentive-a a cuidar de si e proponha atividades que a façam sair de casa e a não se isolar – um passeio, um café, uma ida às compras;
  • Valorize a importância de pedir ajuda profissional e de receber tratamento, mas não force;
  • Acima de tudo, esteja presente: mostre que se preocupa e que gosta da pessoa e que quer vê-la bem.

S.O.S.

Estas linhas disponibilizam ajuda credenciada


SOS Voz Amiga

Linha de apoio emocional para ajudar quem se encontra em situações de sofrimento causadas pela solidão, ansiedade, depressão ou risco de suicídio.

800 209 899
21h – 24h
Diariamente

Conversa Amiga

Linha criada pela Fundação INATEL para prestar assistência e informação a quem precisa de apoio em momentos de dificuldade.

808 237 327 | 210 027 159
15h – 22h

SOS Estudante

Linha gerida por estudantes do ensino superior preparados para auxiliar quem precisa de um espaço anónimo e confidencial para desabafar.

239 484 020
20h – 1h
Exceto período de férias escolares

Voades – Vozes Amigas da Esperança

Organização de voluntariado que atua nas áreas da promoção da saúde emocional e da intervenção em crise.

22 208 07 07
20h – 23h
Todos os dias do ano

 

Revisão científica

Drª Gabriela Álvares Pereira
Psicóloga Clínica e Neuropsicóloga