Embora esteja frequentemente associada à presença de infeções urinárias, a dor ao urinar pode ter múltiplas causas. E importa conhecê-las para as tratar corretamente.

Dor ao urinar: o que pode ser e quando ir ao médico

Urinar é algo natural, uma das funções fisiológicas do organismo. Fazemo-lo sempre que temos vontade e várias vezes ao dia. No entanto, algumas alterações na urina e na forma como urinamos podem requerer atenção médica. É o caso da disúria, o nome científico da dor ao urinar, um sintoma comum, sobretudo nas mulheres.

De acordo com o jornal da Academia Americana de Médicos de Família, a dor ao urinar afeta especialmente mulheres jovens e pessoas com uma vida sexual ativa. Embora não seja muito frequente nos homens, a sua incidência aumenta com o avanço da idade, indica a mesma fonte.

Geralmente associada a infeção urinária, a dor ao urinar afeta com mais frequência a uretra ou o períneo (zona ao redor dos órgãos genitais). Mulheres grávidas, no período pós-menopausa e pessoas com diabetes ou com doenças da bexiga apresentam um risco maior de desenvolver infeções da bexiga e, por essa via, de disúria.

Dor ao urinar: causas possíveis

A dor ao urinar indica frequentemente a presença de uma infeção do trato urinário. Mas, segundo o urologista Ricardo Pereira e Silva, pode “ter um diagnóstico desafiador, uma vez que são vários os problemas urinários ou ginecológicos que podem estar na sua origem”.

Nas mulheres, pode ter origem numa inflamação da uretra (uretrite) ou da vagina. Por sua vez, no caso dos homens, “a uretrite e certas doenças da próstata, como a prostatite e a hipertrofia benigna da próstata, podem ser as responsáveis por uma micção dolorosa e desconfortável”, esclarece o urologista. Além destas, existem outras causas possíveis, nomeadamente:

  1. Cálculos renais, comummente chamados de pedras nos rins. Quando se deslocam para a bexiga através do ureter provocam dor intensa e dificuldade ao urinar. Esta dor costuma levar à procura urgente de assistência médica.
  2. Pielonefrite, uma infeção do trato urinário superior localizada nos rins.
  3. Doenças sexualmente transmissíveis (DST), como clamídia, gonorreia ou herpes.
  4. Quistos nos ovários. Podem ser encontrados em mulheres de todas as idades e desenvolvem-se num ou em ambos os ovários, pressionando a bexiga e provocando, consequentemente, desconforto e disúria.
  5. Cancro na bexiga, no útero ou na próstata. Num estadio avançado pode causar dor ao urinar, assim como outros sintomas. Por exemplo, sangue na urina ou cansaço excessivo.
  6. Nas mulheres na pós-menopausa, “a redução acentuada do estrogénio a nível vaginal faz com que haja atrofia genital, o que deixa a mucosa da vagina frágil e mais exposta a qualquer agente que possa causar irritação. Por isso, muitas mulheres com vulvovaginite atrófica têm disúria simplesmente pela passagem da urina junto a essa mucosa fragilizada”, explica o urologista.
  7. O uso de sabonetes, espermicidas, loções ou papel higiénico perfumado pode causar irritação e dor ao urinar.
  8. Alguns medicamentos, incluindo os que são usados no tratamento oncológico, podem irritar e inflamar os tecidos da bexiga, causando dor ao urinar.

Quando ir ao médico: sinais e sintomas

As formas de manifestação de disúria podem variar entre homens e mulheres. No entanto, ambos os sexos costumam queixar-se de ardor, desconforto e dor ao urinar. Se a dor começa no início da micção, costuma ser sinal de uma infeção do trato urinário. Se surge após a micção, pode evidenciar um problema na bexiga ou na próstata.

Para além destas manifestações, a disúria pode surgir acompanhada de outros sintomas, incluindo:

  • Ter vontade de urinar muitas vezes;
  • Prurido na região genital;
  • Sensação de peso ao urinar;
  • Urina turva;
  • Dor no abdómen ou nas costas;
  • Náuseas e vómitos;
  • Sangue na urina (hematúria);
  • Febre.

Quando isolada, a disúria raramente requer uma intervenção médica urgente. No entanto, “é um sintoma extremamente desagradável e que tem um grande impacto na qualidade de vida, levando, por vezes, a pessoa a beber menos água e a evitar urinar”, constata Ricardo Pereira e Silva. Daí que “excetuando uma mulher que tenha infeções urinárias ocasionais e disúria na presença de outros sintomas que reconheça como sendo uma infeção urinária, um doente com disúria deve ser sempre visto por um médico”, adverte o urologista.

Paralelamente, a existência de outras manifestações associadas é sinal de que é necessária uma investigação médica. Só assim será possível descartar problemas mais graves e complicações associadas. Até que haja um diagnóstico, nenhuma doença deve ser descartada.

Tratar a causa, não o sintoma

Para determinar a causa da micção dolorosa, o médico irá basear-se na descrição dos sintomas e no historial clínico do doente, além de solicitar análises à urina. Também pode ser preciso um exame físico que contemple um exame ginecológico, no caso das mulheres, bem como a observação do abdómen e dos órgãos genitais externos.

Se a causa não for evidente ou houver sinais de doença mais grave, serão necessários exames adicionais. Em alguns casos, o médico poderá requerer testes para descartar uma DST.

Só após conhecidas as causas da disúria é que se poderá fazer o diagnóstico correto e adotar uma estratégia de tratamento direcionada para o problema subjacente. Isto significa que o tratamento vai depender de pessoa para pessoa e consoante a causa do desconforto.