Apesar de não serem sinónimo direto de bexiga hiperativa, certos fatores de risco podem aumentar a probabilidade de desenvolver ou agravar a doença.

Fatores de risco da síndrome de bexiga hiperativa

“Indivíduos com depressão, diabetes mellitus insulino-tratada e de raça branca têm um risco três vezes superior de desenvolver bexiga hiperativa”, lê-se no documento “Urologia em Medicina Familiar” da Associação Portuguesa de Urologia. Também a obesidade, a idade, as doenças neurológicas e um historial de cirurgias pélvicas são considerados fatores de risco da síndrome de bexiga hiperativa.

“Não causando a doença, os fatores de risco contribuem para o aumento da probabilidade de se vir a desenvolver a doença e/ou de se apresentar formas mais agressivas”, explica José Santos Dias, urologista. Ou seja, evitar os fatores de risco não garante que se escapará à doença, até porque muitos não podem ser evitados. Mas “a redução dos fatores de risco da bexiga hiperativa ou da sua intensidade – naqueles que é possível intervir, como a obesidade – promove uma maior saúde da bexiga”, salienta o especialista.

Conhecer os fatores de risco é, por isso, fundamental para fazer o possível para prevenir o problema ou, pelo menos, para vigiar e atuar o quanto antes. Sendo certo que, quantos mais fatores de risco estiverem reunidos, maior a probabilidade de se vir a desenvolver a síndrome de bexiga hiperativa.

Como se explicam os fatores de risco?

Em alguns casos, os mecanismos que explicam o risco de bexiga hiperativa não estão totalmente esclarecidos pela ciência. Mas, em termos gerais, todos os fatores de risco de bexiga hiperativa têm alguma influência “no controlo neurológico da bexiga, na pressão exercida sobre a mesma, dificultando o seu esvaziamento e alterando as características dos tecidos da parede da bexiga”, justifica José Santos Dias.

+ Ser obeso

Índices de massa corporal elevados estão associados a um aumento da pressão intra-abdominal, o que fragiliza as estruturas do pavimento pélvico e expõe os músculos pélvicos a maior desgaste. Além disso, a acumulação de gordura pode causar inflamações na bexiga, promovendo uma maior frequência e urgência urinárias.

+ Ter diabetes mellitus

Uma das complicações de saúde associadas à diabetes mellitus, seja de tipo 1 ou de tipo 2, é a danificação das terminações nervosas. A manifestação mais comum deste processo é o chamado ‘pé diabético’, mas podem ser afetadas outras partes do corpo, incluindo a bexiga. Neste caso, o que sucede é que a bexiga perde a capacidade de perceber que está cheia. Ao longo do tempo, os músculos da bexiga acabam por ser afetados, deixando de permitir o seu esvaziamento completo, o que pode traduzir-se num quadro de urgência urinária.

+ Sofrer de depressão

O descontrolo urinário poderá originar um quadro depressivo que, por sua vez, pode contribuir para agravar os sintomas de bexiga hiperativa. Num estudo de 2016 coordenado pela Washington University School of Medicine, 27,5% dos doentes com bexiga hiperativa demonstravam sintomas de depressão. “Os doentes deprimidos podem não ter a automotivação, o desejo e o esforço persistente necessário para obter resultados bem-sucedidos com terapias comportamentais [de tratamento da bexiga hiperativa]”, adianta o estudo. Por outro lado, a diminuição dos níveis noradrenalina e serotonina – substâncias químicas produzidas nos neurónios – no sistema nervoso central poderá contribuir para a depressão e para a bexiga hiperativa (ao impedir o normal relaxamento do músculo detrusor), aponta um estudo da University of Virginia School of Medicine.

+ Sofrer de doença neurológica

O funcionamento do sistema nervoso central comanda o controlo e o armazenamento da urina. Doenças neurológicas como esclerose múltipla ou Parkinson podem perturbar o bom funcionamento do aparelho urinário e estar na origem de incontinência urinária, aumento da frequência urinária, alterações no fluxo urinário ou desfasamentos entre a tentativa de urinar e a saída de urina, por exemplo.

+ Ter feito uma cirurgia pélvica

Algumas cirurgias pélvicas podem provocar alterações ao pavimento pélvico que debilitam as estruturas e músculos associados, favorecendo a bexiga hiperativa. No caso das mulheres, este é sobretudo o caso da histerectomia (remoção do útero), intervenção que acaba por enfraquecer os músculos pélvicos. Para os homens, os problemas no controlo urinário estão sobretudo relacionados com o tratamento cirúrgico para o cancro ou hiperplasia benigna da próstata. No entanto, os avanços na medicina têm permitido que estes efeitos secundários da cirurgia sejam apenas temporários.

+ Ter mais de 75 anos

Estão associadas ao envelhecimento uma maior fragilidade dos músculos pélvicos, maior sensibilidade ao volume de urina na bexiga e maior resistência da uretra. Estes fatores podem contribuir para o desenvolvimento de bexiga hiperativa ou de incontinência urinária. A urgência urinária em pessoas mais velhas também pode resultar de lesões intracerebrais, mais comuns nesta fase da vida.

+ Ser caucasiano

Alguns estudos científicos sugerem que as mulheres caucasianas são mais propensas a desenvolver bexiga hiperativa quando comparadas com mulheres de outras ascendências. Tal poderá dever-se a diferenças físicas no aparelho urinário com impacto direto na doença, como uretra mais curta ou músculos pélvicos mais fracos, por exemplo.

 

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