É uma das doenças mais frequentes nos homens a partir dos 40 anos e não pode ser prevenida. A atenção recai sobre o diagnóstico e as várias opções de tratamento.

O que é a hiperplasia benigna da próstata

A hiperplasia benigna da próstata é um processo fisiológico, normal e relativamente comum nos homens com a aproximação da meia-idade. De acordo com a Associação Portuguesa de Urologia, afeta de forma sintomática cerca de 25% dos homens com idade superior a 40 anos e um em cada três homens com mais de 65. Embora as causas não estejam totalmente esclarecidas, sabe-se que este aumento do tamanho e estrutura da próstata é influenciado pela testosterona (hormona sexual masculina).

Sendo um processo relacionado com a idade, não há forma de prevenção. E, ao contrário de outras patologias, só deve ser valorizada e tratada se surgirem sintomas. “Os objetivos terapêuticos são o alívio sintomático e a melhoria da qualidade de vida”, explica o urologista Frederico Ferronha. “Apenas tratamos doentes com queixas. Por si só, as alterações do volume da próstata não são um indicador de que deve ser iniciado tratamento. Até porque há doentes com um grande volume prostático que não têm sintomas. E há doentes muito sintomáticos que não apresentam alterações tão significativas da próstata.”

Os sintomas podem ser muito desconfortáveis e alterar a qualidade de vida e de sono de quem sofre da doença. São conhecidos pelo seu acrónimo em inglês: LUTS – Lower Urinary Tract Symptoms. Incluem os chamados sintomas de armazenamento – aumento da frequência urinária, tanto de dia como de noite, e vontade súbita e imperiosa de urinar. E sintomas de esvaziamento – diminuição da força do jato, hesitação, intermitência, sensação de esvaziamento vesical incompleto, esforço abdominal na micção e gotejamento no final de urinar.

Da consulta ao diagnóstico

Alguns dos sintomas iniciais da hiperplasia benigna da próstata são idênticos aos de outros problemas, como a infeção urinária ou a síndrome de bexiga hiperativa. Qualquer sintoma é motivo para marcar uma consulta no urologista, de forma a realizar exames que permitam fazer um diagnóstico diferencial.

Conforme explica Frederico Ferronha, o “diagnóstico assenta numa avaliação da história clínica e familiar do doente, num exame físico – no qual não deve faltar o toque retal –, assim como numa avaliação do Antigénio Específico da Próstata (PSA) e uma urina tipo II – para excluir infeção urinária. A fluxometria também pode ajudar, pois na hiperplasia benigna da próstata está normalmente alterada e noutras situações, como a bexiga hiperativa, habitualmente não está.” 

Tratamento e prognóstico

A cirurgia de ressecção prostática, muitas vezes feita por via endoscópica, é a segunda mais frequente no mundo. A intervenção consiste na retirada do tecido hipertrofiado que provoca a obstrução, causando os sintomas. Mas há outras opções, não-cirúrgicas, que também tratam o problema, normalmente na fase inicial da doença, nomeadamente terapêutica farmacológica.

“O tratamento cirúrgico está reservado para complicações mais graves da hiperplasia benigna da próstata, como é o caso da retenção urinária aguda, litíase vesical, hematúria (presença anormal de sangue na urina), insuficiência renal obstrutiva ou quando a doença é refratária à terapêutica médica”, explica o urologista Frederico Ferronha.

O grande objetivo do tratamento, seja farmacológico ou cirúrgico, é devolver qualidade de vida ao doente. Mas “a melhoria da qualidade de vida que se consegue com o tratamento clínico pode, ao mesmo tempo, ser uma ameaça pelos seus efeitos secundários”, explica Francisco Rolo no livro “100 Perguntas sobre Hiperplasia Benigna da Próstata”, editado em 2010 pela Associação Portuguesa de Urologia.

Assim, a terapêutica deve ser cuidadosamente escolhida pelo urologista dependendo dos sintomas, do contexto e das expectativas do doente. Por exemplo, “se o doente tem uma vida sexualmente ativa, é preciso escolher um tratamento que não tenha efeitos secundários sobre a esfera sexual”, refere a mesma fonte.

Pôr os medos de parte

Em todo este processo, os homens têm dois receios. O toque retal, no campo do diagnóstico, a disfunção erétil e/ou incontinência, quando avançam para cirurgia. Frederico Ferronha desmonta esses medos: “O toque retal é fundamental na avaliação de doença prostática. É importante salientar que é um ato indolor, discreto e rápido e que não deve ser feito tabu disso. Relativamente ao tratamento cirúrgico da hiperplasia benigna da próstata, a disfunção erétil e incontinência são muito raras.” Outro medo comum é o de que a hiperplasia benigna da próstata evolua para cancro. Na verdade, a hiperplasia benigna da próstata e as neoplasias malignas (cancros) são doenças diferentes. A hiperplasia benigna da próstata não evolui para cancro.

O que pode fazer o doente?

Há algumas alterações comportamentais que podem e devem ser feitas pelo doente. Segundo Frederico Ferronha, na presença de sintomas ligeiros, pouco incomodativos, há estratégias que ajudam a viver melhor com a doença:

  • Evitar a ingestão hídrica a partir do final da tarde
  • Evitar passar muito tempo sem urinar
  • Esvaziar a urina regularmente e bem, despendendo mais tempo na micção
  • Evitar o café, chá preto, chocolate, excesso de condimentos ou bebidas ácidas.

Segundo a Mayo Clinic, adotar uma dieta saudável e manter-se ativo também é importante. É que a obesidade está associada à hiperplasia da próstata e a inatividade física contribui para a retenção urinária. “Mesmo uma pequena quantidade de exercício pode ajudar a reduzir problemas urinários causados por uma próstata aumentada”, refere a instituição clínica de referência.

Sabia que…

A próstata é uma glândula situada abaixo da bexiga e atravessada pela uretra. Tem um papel importante no ato sexual – é responsável pela produção de uma parte significativa das secreções que constituem o sémen – e também no ato urinário, ao controlar o fluxo do jato urinário durante a micção.