Passamos cada vez menos tempo ao ar livre, mas a ciência mostra que investir no contacto com a natureza nos torna mais saudáveis e felizes.

Experimente passar mais tempo ao ar livre

Acordamos às sete da manhã, arranjamo-nos à pressa e metemo-nos no carro ou nos transportes públicos para ir para o trabalho. Passamos oito ou nove horas no escritório. Saímos ao fim da tarde e passamos rapidamente no supermercado, vamos buscar os miúdos. Chegamos a casa, ajudamo-los nos trabalhos da escola, despachamos jantares e banhos. Quando damos por isso, é hora de ir dormir para no dia seguinte começar tudo de novo. Os dias da maioria dos portugueses pautam-se pela falta de tempo para atividades de lazer em geral e ao ar livre, em particular. Mas muitos estudos científicos corroboram o que o senso-comum sugere. As atividades fora de portas têm um impacto positivo global na saúde e no bem-estar em qualquer idade, contribuindo de diferentes modos para a felicidade.

  • Reduz o stresse e a depressão

Vários estudos têm vindo a demonstrar que estar em espaços verdes é uma poderosa arma ao serviço da saúde mental. Por exemplo, ajuda a reduzir os níveis de stresse e pode reduzir a sintomatologia de depressão e ansiedade, como mostra um estudo conduzido pela equipa da investigadora Danielle Shanahan, da Universidade de Queensland, na Austrália.

  • Melhora o humor e a autoestima

Bastam cinco minutos de atividade física diária ao ar livre para haver um impacto muito positivo no humor e na autoestima. Esta é uma das conclusões de uma revisão de literatura científica publicada na revista Environmental Science and Technology. Os ganhos parecem ser potenciados se o local for junto à água, refere o trabalho conduzido por investigadores da Universidade de Essex (Reino Unido).

  • Desenvolve a criatividade, autonomia, sociabilidade

Os ambientes urbanos estão associados à fadiga cognitiva: o excesso de estímulos que disputa a atenção exige demasiado do cérebro. Este estilo de vida afeta também o desenvolvimento infantil, defende Catherine L’Ecuyer no livro Educar na Curiosidade (Editorial Planeta, 2017). A autora argumenta que a hiperestimulação associada à tecnologia e às atividades estruturadas está a matar características próprias das crianças. É a brincar de forma espontânea ao ar livre que os mais novos aprendem competências como autorregulação, autonomia, sociabilidade, curiosidade, criatividade. A investigadora canadiana advoga que devem ter, pelo menos, uma hora todos os dias para o fazer.

  • Restaura a capacidade de foco e atenção

Vários estudos têm mostrado que a exposição à natureza pode funcionar como um restaurador da capacidade de foco e atenção. Este efeito é especialmente visível em crianças que sofrem de Transtornos de Hiperatividade e Défice de Atenção (THDA). Após 20 minutos no parque, estas crianças obtêm melhores pontuações nos testes de concentração, mostra um estudo publicado no Journal of Attention Disorders pelos investigadores Andrea Faber Taylor e Frances E. Kuo.

  • Preserva as emoções positivas e a memória

Num estudo publicado em 2015, na Landscape and Urban Planning, Gregory Bratman, da Universidade de Stanford, compara os efeitos de uma caminhada em ambiente urbano com os de uma na floresta. O segundo grupo sentiu níveis mais baixos de ansiedade e de pensamentos ruminantes negativos. Além disso, preservou emoções positivas e aumentou a performance da memória de trabalho (a memória de curto prazo).

  • Promove a vitalidade e a satisfação com a vida

Quem está mais ligado à natureza tende a experimentar mais sensações de afeto positivo, vitalidade e satisfação com a vida. A conclusão é de um estudo de investigadores do Departamento de Psicologia da Universidade de Carleton, no Canadá. Vários estudos apontam nesse mesmo sentido, refere o website do Greater Good Science Center, da Universidade da Califórnia. “Os cientistas começam a encontrar evidências de que estar em contacto com a natureza tem um impacto profundo no nosso cérebro e no nosso comportamento. Ajuda a reduzir a ansiedade, as preocupações e o stresse. E aumenta a criatividade e a capacidade de atenção e de nos relacionarmos com outras pessoas”.

 

60 minutos

É o tempo mínimo diário de ar livre recomendado pelo Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos para garantir o bem-estar dos prisioneiros.

70%

É a proporção de crianças que passam menos do que 60 minutos por dia ao ar livre. O dado é de um estudo apresentado em 2016 pela marca Skip que envolveu mais de 12 mil pais a nível global.

Sabia que…

Dentro da psicologia ambiental existe uma área chamada ecopsicologia. Dedica-se ao estudo da “interdependência psicológica dos seres humanos com o resto da natureza e as suas implicações para a identidade, saúde e bem-estar”, define a Associação Americana de Psicologia.